PROFESSORES DE IOGA APOSTAM EM AULAS PARA GESTANTES E PARA MÃES E FILHOS

Professores de ioga apostam em aulas para gestantes e para mães e filhos

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Algumas posturas são capazes até de desvirar bebês em gestações avançadas


RIO — Antônio Tigre passou por bons e maus bocados na vida. Eis aqui três deles. Número 1: começou ensinando ioga em escolas públicas e privadas e chegou a ser trancado para fora da classe “de brincadeira” — no meio de um verdadeiro pandemônio, uma menininha angelical balançava a chave para desespero do mestre. Número 2: mostrou os caminhos da prática milenar para uma constelação de estrelas, com todos os níveis de paciência, no Nirvana, na Gávea, e fora dele. Número 3 (e talvez o mais remarcável de todos os itens): especializou-se em um público não muito conhecido por sua concentração, o das crianças. Pois no segundo e no último fim de semana de maio, mães iniciadas ou não na ioga podem aprender a repassar o beabá da prática para seus respectivos rebentos — sem precisar para isso enfrentar uma maratona ou subir a montanha para perguntar se Tostines vende mais porque é fresquinho.
Além dos óbvios benefícios para o corpo da mãe e da criança, Antônio Tigre salienta:
— Hoje em dia, as mães têm pouquíssimo tempo com os filhos e, quando chegam em casa, não se comunicam com eles, é quase um interrogatório. A ideia é que essas mães aprendam a se exprimir de uma forma mais aberta com as crianças por meio da prática da ioga. Sem preconceitos, sem pensar no que os nossos pais faziam, sem as expectativas, que são tão dolorosas para os dois lados. Assim, a criança tem liberdade para ser quem ela quiser, com o máximo de sua potência. Você só vai estabelecendo as bordas, para que ela não caia — prega o mestre, ele mesmo esperando seu primeiro filho.
A sacada de dar aulas para os pequenos aconteceu há 12 anos, quando essas classes praticamente inexistiam no Rio. Tigre ainda cursava licenciatura em Artes Cênicas, quando a lâmpada da ideia acendeu no meio de uma aula de Pedagogia. Desde então, ele concilia os ensinamentos para os adultos (muitos deles ilustres conhecidos, como Marco Nanini, Marcelo Serrado, Rodrigo Santoro e Fernanda Torres) com a criação de diversos tipos de jogos, que transformam a ioga em algo mais lúdico.

Há, por exemplo, pique-postura, menino imitando a posição do outro num jogo de “espelho”; corrida de croquete vegetariano (a criança se enrola no tapetinho); e até um tal de circuito iogue, para fazer em casa. Tudo isso seguindo a linha filosófica do método Iyengar e respeitando as limitações das diversas faixas etárias.
— Quando você começa a ioga depois de adulto, você faz remendos. Com a criança, não. O corpinho não está estruturado: ela começa a entortar, você ajeita. Se fecha o peito porque está com a autoestima baixa, você abre. Na ioga, não tem competitividade. Ela pode não jogar bola, não ser a mais bonita, a melhor em matemática, mas pode ser feliz. Isso ela pode — diz, animado, enquanto demostra alguns movimentos para Maria Flor Guerreiro, de 5 anos, sua aluna há dois.
Para as mulheres que ainda não são mães, mas estão com um bebê encomendado no forninho, também há diversas opções de aulas direcionadas para gestantes espalhadas pela cidade. A doula e professora de ioga Alice Sicuro, uma das poucas no país que formam mestres especializados em alunas grávidas, diz que a prática, nesse momento, funciona como uma preparação para o parto.
— Nove meses é um período muito longo e as mulheres perdem completamente a intimidade com o próprio corpo. Por isso, acabam ficando mais tempo deitadas e, consequentemente, sentindo mais dores. A ioga ensina a se movimentar e fortalece a musculatura do períneo e do assoalho pélvico. Assim, ela terá menos risco de ter incontinência urinária ou queda de órgãos, como a bexiga, por exemplo — explica.
Muitos especialistas divergem sobre o momento certo para começar. Um consenso, mais ou menos estabelecido, é por volta da 12ª semana de gestação (ou terceiro mês), quando o bebê já está bem preso ao útero materno. No Brasil, não há notícias de hospitais que oferecem o serviço, mas lá fora há mães que praticam ioga até em trabalho de parto. Alice lembra que o mais importante é se ater às particularidades de cada mulher, mesmo nas aulas em grupo.

As vantagens são as mais diversas: há exercícios específicos que ajudam bebês pélvicos a virarem de cabeça para baixo lá pela 36ª semana; outros que dão uma mãozinha para que as crianças se encaixem para nascer em gestações mais avançadas (posturas de cócoras são as mais recomendadas); e até exercícios para melhorar as fatídicas dores no ciático. Alice conta que é costume proibir, em academias que oferecem aulas para grávidas, por exemplo, torções e posturas que exijam muito do abdômen. Ela frisa, porém, que as limitações não se restringem a essas citadas acima.
Retroflexões muito intensas, por exemplo, aumentam o risco de estrias e fazem com que os músculos do abdômen demorem mais a voltar para o lugar. Exercícios que forçam a lombar também podem causar lordoses dolorosas. Invertidas só para casos muito específicos e nos momentos certos, como com bebês pélvicos.
— A internet está cheia de fotos de grávidas malhadas, exibindo tanquinhos. Esse é um momento em que vale parar a busca pelo corpo perfeito e focar no bem-estar de mãe e bebê. A ideia da ioga é preparar da melhor maneira possível para o parto.


Fonte
:http://oglobo.globo.com/ela/professores-de-ioga-apostam-em-aulas-para-gestantes-para-maes-filhos-19196109#ixzz4GkfbSgBF







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