SOBRE AMOR E FELICIDADE: DEVANEIOS ROMÂNTICOS

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SOBRE AMOR E FELICIDADE: DEVANEIOS ROMÂNTICOS

Uma vez, ao fazer um desejo , disse a mim mesma: Prefiro o amor a felicidade. Felicidade sem amor é bem estar, prazer, conforto. Amor sem felicidade ainda é amor.
Nada deveria ser mais desejado neste mundo do que a felicidade. A palavra felicidade engloba tudo aquilo que almejamos. Quando alguém se diz feliz, deduzimos que tem boa saúde física e mental, dinheiro suficiente para uma vida materialmente confortável, um emprego no mínimo interessante, uma vida social agradável, pelo menos um bom amigo para confidenciar as tristezas da vida e compartilhar as alegrias, um parceiro com uma boa dose de afinidades afetivas e intelectuais e alguma química sexual. Ou pode-se pensar que a pessoa é simples demais e consegue se realizar com aquilo que a vida oferece.
Muita gente não se contenta com nada e se sente infeliz mesmo quando todas as suas vontades são satisfeitas enquanto que outras se alegram por conseguir sobreviver simplesmente.
Felicidade é um tema complexo mesmo, extremamente particular, mas com alguns pontos em comum. Muita gente acredita que o amor é ingrediente essencial da felicidade mais genuína. Estou neste grupo de românticos incorrigíveis. Os dois conceitos quase se confundem para mim, mas opto pelo amor porque como Einstein afirmou em um de seus belos pensamentos, com o amor podemos conquistar o mundo e talvez a própria felicidade. Por que não?
O nosso quinto elemento faz tudo parecer mais simples e bonito mesmo quando ele é complicado e torna tudo mais difícil. O amor nos ancora. Não somos mais eu e nós precisamos sincronizar os passos e o coração para vencer nesta gincana maluca e linda que é a vida a dois.
Dane-se que a relação não é perfeita. Dane-se que às vezes o ciúme tortura o peito. Dane-se que nem sempre temos o que queremos e nem sempre somos o que precisamos para embelezar a vida do outro. Dane-se que em alguns momentos, queremos jogar tudo pro alto. Dane-se que o amor tem o seu lado rotineiro e enfadonho. Dane-se que existem outras pessoas interessantes no mundo, as quais precisaremos abrir mão para viver o nosso amor. Dane-se que o amor real não é emocionante como um filme romântico nem sexy como um outro picante. O amor é o que é.
Nada nos humaniza mais do que o amor. Quando amamos, revelamos a nós e ao outro o nosso melhor e o nosso pior. E quando falo amor , não me refiro a paixonites, amizades coloridas nem casos de verão. No amor, não existem máscaras. Mais cedo ou mais tarde, todo mundo se desnuda e a vida flui como um mar que desagua no oceano de horrores e belezas que constituem a existência humana quando vivida no amor.
Sei que muitos discordam deste pensamento e respeito todos pontos de vista. Mas nunca entendi o conceito de felicidade sem o outro, sem o encontro, sem a comunhão. Sou feliz quando amo e sou amada. Quando me consagro a você e você a mim num ritual de delicada ingenuidade, em que acreditamos e remamos juntos contra a maré, contra nossos próprios temores, mesquinharias e limitações. Contra tudo o que nos apequena.
Felicidade sem amor é bem estar, prazer, conforto. Amor sem felicidade ainda é amor. Pensamento louco? Sim! Não tenho dúvidas disso. E eu duvido de quase tudo. Por isso se você está solitário e desanimado, não se sinta sozinho. Muitos querem o amor mais do que qualquer outra coisa e se você não o encontrou ainda, o amor pra valer, o amor que dura, que dói, que doa , que delicia, o problema não está contigo. Esta vida é muito doida mesmo e nem sempre querer é poder. Mas nem por isso, vamos deixar de querer, não é? Quem sabe, um dia, possamos escolher o amor e com ele conseguir a felicidade e tudo mais que o mundo possa oferecer.

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