A TRAGÉDIA FAMILIAR DO MENINO SÍRIO AYLAN KURDI,QUE OBTEVE ASILO NO CANADÁ

Fatima Kurdi, tia do menino afogada, falou sobre a tragédia em Coquitlam, no Canadá (Foto: Darryl Dyck/The Canadian Press via AP)Fatima Kurdi, tia de Aylan Kurdi, fala sobre a tragédia em Coquitlam, no Canadá (Foto: Darryl Dyck/The Canadian Press via AP)
05/09/2015 14h12 - Atualizado em 05/09/2015 17h01

Tia de Aylan diz que suas últimas palavras foram 'papai, não morra'


Aylan Kurdi foi encontrado morto em praia.Tragédia da família se tornou um símbolo da crise migratória.



Uma tia do menino Aylan Kurdi, que foi encontrado morto em uma praia turca na última quarta-feira (2), falou sobre a tragédia que se tornou um símbolo da crise migratória na Europa. De acordo com o jornal britânico Daily Telegraph, Tima Kurdi disse que o menino gritou "Papai, não morra, por favor", antes de se afogar.
O pai de Aylan contou a ela por telefone como os filhos, Aylan, de 3 anos, e Ghalib, de 5 anos, e a esposa morreram, ao lado de outros nove refugiados sírios, no naufrágio de uma embarcação quando a família tentava chegar à ilha grega de Kos, porta de entrada para a União Europeia (UE).
"Eu me culpo porque meu irmão não tem dinheiro. Eu mandei o dinheiro para pagar o contrabandista. Se não tivesse mandado, todos ainda estariam vivos", afirmou.Segundo a agência Associated Press (AP), Tima Kurdi, que morá no Canadá há duas décadas, afirmou que se sente culpada pela tragédia, porque enviou US$ 5 mil ao irmão para pagar pela viagem clandestina.
Tima já havia tentado um pedido de asilo para seu irmão mais velho Mohammed no Canadá, mas ele foi negado. Por isso, ela acredita que a viagem era a "única opção" para a família ter uma vida melhor na Europa, possivelmente na Alemanha ou Suécia.
Por telefone, Abdullah relatou como tentou salvar os meninos em seus braços, enquanto eles gritavam para que o pai não morresse. Ao perceber que os filhos já estavam sem vida, ele os soltou, disse a tia.
Fatima Kurdi, tia do menino afogada, falou sobre a tragédia em Coquitlam, no Canadá (Foto: Darryl Dyck/The Canadian Press via AP)
Fatima Kurdi, tia do menino afogada, falou sobre a tragédia em Coquitlam, no Canadá (Foto: Darryl Dyck/The Canadian Press via AP)

pai sobrevivente disse que seu único desejo agora ficar na cidade síria de Kobane, para enterrar seus familiares e ser enterrado ao lado deles. De acordo com ele, 16 membros de sua família que combatiam o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) morreram na sua cidade natal.
Tia se sente culpada porque mandou dinheiro para família pagar a viagem clandestina (Foto: Darryl Dyck/The Canadian Press via AP)Tia mandou dinheiro para pagar a viagem clandestina (Foto: Darryl Dyck/The Canadian Press via AP)
Naufrágio
Pelo menos nove sírios morreram no naufrágio que matou a família de Abdullah Kurdi, segundo a agência AFP -- outros veículos citam 12. As duas embarcações haviam partido do balneário turco de Bodrum e tentavam chegar à ilha grega de Kos.



A foto do menino morto virou um dos assuntos mais comentados no Twitter e diversos veículos da imprensa internacional a destacaram como símbolo da gravidade da situação, inclusive com potencial para ser um divisor de águas na política europeia para os imigrantes.
O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, disse que a morte do menino sírio mostra a necessidade de ação urgente da Europa na crise migratória. "Ele tinha um nome: Alyan Kurdi. Ação urgente é necessária – uma mobilização da Europa inteira é urgente", escreveu Valls.
Itália, França e Alemanha assinaram um documento conjunto pedindo pela revisão das atuais regras da União Europeia sobre garantia de asilo e uma distribuição "justa" de imigrantes no bloco, informou o Ministério das Relações Exteriores da Itália.
Ilustração homenageia Aylan Kurdi, menino sírio que morreu em praia na Turquia (Foto: Reprodução/Twitter)Ilustração homenageia Aylan Kurdi, menino sírio que morreu em praia na Turquia (Foto: Reprodução/Twitter)
Aylan Kurdi em fotos mostradas por sua tia, que mora no Canadá (Foto: Cortesia de Tima Kurdi/The Canadian Press via AP)Aylan Kurdi em fotos mostradas por sua tia, que mora no Canadá (Foto: Cortesia de Tima Kurdi/The Canadian Press via AP)
A família do menino sírio Aylan Kurdi, cuja foto depois 
de morrer afogado em uma praia turca provocou comoção no mundo, recebeu asilo no Canadá, informou nesta sexta-feira (27) a televisão CBC.

Família do menino sírio Aylan Kurdi obtém asilo no Canadá


Tios e cinco primos de menino afogado tiveram solicitação aprovada.Pai de Aylan diz que ressentimento com governo canadense passou.



27/11/2015 19h58 - Atualizado em 27/11/2015 19h58

A tia do menino, Tima Kurdi, que mora perto de Vancouver (oeste), informou que as autoridades de imigração canadenses lhe comunicaram a aprovação da condição de refugiado para o tio de Aylan, sua esposa e seus cinco filhos.
Os serviços de Imigração canadenses "vão trazê-los", informou a tia de Aylan à televisão pública canadense.
Na terça-feira, o novo governo do liberal Justin Trudeau anunciou que o Canadá assumiu o compromisso de acolher 10 mil refugiados sírios a partir de agora até o final de dezembro, e outros 15 mil em janeiro e em fevereiro.
A trágica foto que mostra Aylan, de três anos, morto na praia de Bodrum, no sul da Turquia, quando sua família tentava chegar à costa grega para entrar na Europa, teve grande repercussão no Canadá.
A família do pequeno havia desistido de pedir asilo ao Canadá e decidido empreender o perigoso caminho, depois que o governo canadense recusou o pedido de asilo de um tio do menino, de sua esposa e de seus cinco filhos.
Após abandonar o sonho de chegar a Vancouver, os pais de Aylan resolveram se lançar na perigosa travessia, que também custou a vida de seu irmão e sua mãe.
"Eu estava desapontado com o governo (canadense), mas agora meu ressentimento passou", disse o pai de Aylan, Abdullah Kurdi, em um programa que a televisão canadense prevê transmitir da noite desta sexta-feira

Pai de menino sírio morto em praia fala a brasileiro sobre tragédia familiar



Abdullah Kurdi com brinquedos e outros objetos dos filhos Alan e Galib; ele deu entrevista na casa de sua sogra em Kobane (Foto: Gabriel Chaim/G1)


Foto de Alan Kurdi na areia sendo observado por guarda comoveu o mundo.Pai da criança relembra naufrágio e conta como tenta reconstruir a vida.

01/11/2015 10h12 - Atualizado em 02/11/2015 17h25

O constante toque do celular de Abdullah Kurdi interrompe o silêncio no cemitério civil da cidade de Kobane, na Síria. Enquanto conta sua história, o sírio de 39 anos limpa a superfície dos três túmulos enfileirados onde estão enterrados sua mulher e seus dois filhos.
Os pedidos de entrevista não param de chegar. Abdullah ficou mundialmente conhecido por uma tragédia pessoal: sua família morreu no naufrágio de um bote que levava refugiados da Turquia para a Grécia no dia 2 de setembro deste ano.
Foto icônica mostra o sírio Alan Kurdi, de 3 anos, após morrer em naufrágio na Turquia (Foto: Nilüfer Demir/AP)Foto mostra o sírio Alan Kurdi, de 3 anos, após
morrer em naufrágio (Foto: Nilüfer Demir/AP)











A imagem do filho caçula, Alan (inicialmente identificado pela imprensa mundial como Aylan), chocou o planeta quando foi divulgada.
Caído de bruços na areia da praia de Bodrum, o corpo do menininho de três anos vestindo blusa vermelha e bermuda azul tornou-se um símbolo da crise migratória que já matou milhares de refugiados na travessia da Turquiapara a Grécia.
Agora, dois meses depois da tragédia, Abdullah aceitou falar com Gabriel Chaim, fotógrafo brasileiro que viajou à Síria pela quinta vez para cobrir a guerra civil que já dura mais de quatro anos. O relato da entrevista foi passado por ele ao G1.
Na conversa, ele agradeceu as mensagens de solidariedade enviadas por brasileiros, reclamou de aproveitadores que usaram o nome do seu filho para arrecadar dinheiro em benefício próprio e contou como tenta reconstruir a vida depois da perda.
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Selo frase pai alan (Foto: Gabriel Chaim/G1)
No início, Abdullah falava à imprensa mundial sobre o episódio. Mas, em seguida, ele se fechou. Às cicatrizes da perda traumática se somaram outras. Após a repercussão do caso, o sírio foi acusado de ser o capitão do barco que fazia a travessia ilegal – ele nega e diz que só assumiu o controle depois que o piloto pulou no mar, quando a embarcação foi atingida por uma forte onda
Depois de enterrar a mulher e os filhos na Síria, Abdullah se mudou para a cidade de Erbil, no Curdistão iraquiano. Hoje, sobrevive graças a uma ajuda de custo que recebe do governo local e da administração de Kobane – no dia da entrevista, em 21 de outubro, ele estava no município sírio para resolver questões pessoais.
Ursos de pelúcia e roupas infantis
A conversa aconteceu na casa dos sogros de Abdullah, pais de Rihan, sua mulher, que morreu no mar junto com Alan e o outro filho do casal, Galib, de 5 anos.
Ursos de pelúcia, roupas das crianças e um porta-retratos com a foto dos três são alguns objetos que lembram a época em que eles ainda moravam juntos por lá. Ao falar sobre os filhos e relembrar o que aconteceu, Abdullah esteve a ponto de chorar em vários momentos.
A jornada que levou a família Kurdi até o barco com destino à Grécia é longa e remete ao começo da guerra na Síria, em 2011. Abdullah tinha uma barbearia em Damasco, mas, com o início dos confrontos, decidiu se mudar com a mulher para Kobane, onde tinham familiares.
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Mulher em meios aos escombros em Kobane (Foto: Gabriel Chaim/G1)Mulher em meios aos escombros em Kobane (Foto: Gabriel Chaim/G1)
Abriu outra barbearia lá, mas a economia local estava fraca. Com um filho para criar (o mais novo ainda não tinha nascido), ele decidiu, então, ir para a Turquia tentar algo melhor.
No país vizinho, o barbeiro trabalhou em lava-jatos e em uma fábrica de roupas. A cada dois ou três meses, viajava ilegalmente a Kobane para visitar a família.
Até que a guerra chegou até eles. A cidade foi conquistada pelo Estado Islâmico e ficou destruída após quatro meses de violentos combates com soldados curdos, que conseguiram expulsar os terroristas de lá.
Para deixar a família a salvo, Abdullah levou todo mundo para a Turquia. "Eu não tinha dinheiro para alugar uma casa, então pedi para o dono da fábrica para minha família dormir comigo lá. Toda manhã eu mandava os três para um parque, para que deixassem o tempo passar e voltassem só à noite. Mas depois de uma semana tivemos que sair de lá", lembra Abdullah.
Os quatro foram, então, morar em um bairro pobre de Istambul. Mas o custo de ficar no país era alto demais, então decidiram tentar chegar ao Canadá, onde mora a irmã de Abdullah.
Segundo Abdullah, o Canadá negou o visto a eles -- na época da repercussão do caso, o governo canadense negou que isso tivesse acontecido. Foi então que ele decidiu ir para a Europa.
Relato de um naufrágio
Abdullah Kurdi ao lado dos caixões estão enterrados os filhos, Alan e Galib, e a mulher, Rihan (Foto: Gabriel Chaim/G1)Abdullah Kurdi ao lado dos caixões estão enterrados os filhos, Alan e Galib, e a mulher, Rihan (Foto: Gabriel Chaim/G1)
Os parentes do casal foram contrários à travessia de barco. Acharam que seria perigoso. "Mas eles não me culpam [pelo que aconteceu]", afirma Abdullah.
O sírio diz que pagou a um traficante de pessoas 1.600 euros (R$ 6,7 mil)  por adulto e 700 euros (R$ 2,9 mil) por criança para embarcar em um bote até a Grécia. Mas, seis minutos depois da partida, o motor do bote parou de funcionar e eles foram resgatados, voltando a terra. O dinheiro foi devolvido.
“Comecei então a procurar outro 'coiote' melhor”, relatou ele, que diz ter pagado mais 2 mil euros (R$ 8,4 mil) por adulto e 1.000 (R$ 4,2 mil) por criança para subir nesse segundo barco. “Éramos 13 pessoas, falei que era gente demais, mas ele disse que não, porque a Grécia era muito perto. Só que depois de cinco minutos vieram ondas fortes, e, na segunda onda, o piloto fugiu nadando”, afirma.
Abdullah Kurdi, pai de Aylan Kurdi, menino de 3 anos encontrado morto em uma praia na quarta-feira (2), chora ao deixar um necrotério em Mugla, na Turquia. A família tentava migrar para o Canadá após fugir de Kobanî, cidade devastada pela guerra  (Foto: Murad Sezer/Reuters)Abdullah logo depois do acidente onde morreu sua família (Foto: Murad Sezer/Reuters)
Abdullah diz que, sem ver outra opção, assumiu o comando do barco. Ele demonstra raiva ao falar sobre as insinuações que recebeu de que ele seria o capitão do barco. “Fiquei triste e com muita raiva. Isso é uma mentira”, disse a Gabriel Chaim.
Na época, ele rebateu as acusações em uma entrevista a um jornal britânico. “Por que um traficante de pessoas levaria sua família no mesmo barco? Por que eu estaria morando em uma casa tão pobre em Istambul se estivesse ganhando dinheiro como traficante?”, questionou.
Ele também se queixa de pessoas que se aproveitaram da situação para ganhar dinheiro, como uma canadense que abriu uma fundação em nome de Alan Kurdi e, segundo ele, embolsou as doações recebidas. “Ela nunca mandou nada para Kobane. Está apenas usando o nome do meu filho”, diz.
A última coisa que Abdullah conta do dia do naufrágio é que, quando o barco começou a balançar, Galib se abraçou a ele e Alan, à mãe. “Foi a primeira vez que eu os vi com cara de pavor”, lembra.
O relato para por aí. A emoção não o deixa continuar.
“Eu queria ter morrido com eles”, diz, em outro momento.

Apesar disso, Abdullah tenta reconstruir a vida da forma que dá. E diz que ao menos a história de sua família serviu para chamar a atenção do mundo para o drama dos sírios que fogem da guerra. "Isso tudo pelo menos contribuiu para que o mundo olhe diferente para a situação dos refugiados", afirma. "Porque todo dia tem vários Alans que morrem na praia tentando chegar à Europa."
Mulher e crianças em meios aos destroços na cidade síria de Kobane (Foto: Gabriel Chaim/G1)Mulher e crianças em meios aos destroços na cidade síria de Kobane (Foto: Gabriel Chaim/G1)
Mulher e crianças em meios aos destroços na cidade síria de Kobane; cidade foi destruída em combates com Estado Islâmico (Foto: Gabriel Chaim/G1)Mulher e crianças em meios aos destroços na cidade síria de Kobane; cidade foi destruída em combates com Estado Islâmico (Foto: Gabriel Chaim/G1)
Mulher em Kobane, na Síria (Foto: Gabriel Chaim/G1)Mulher em Kobane, na Síria (Foto: Gabriel Chaim/G1)
Mulheres choram na cidade de Kobane, destruída pela guerra síria (Foto: Gabriel Chaim/G1)Mulheres choram na cidade de Kobane, destruída pela guerra síria (Foto: Gabriel Chaim/G1)
03/09/2015 11h29 - Atualizado em 03/09/2015 17h40

'Meus filhos escorregaram de minhas mãos', diz pai de menino sírio morto

Foto mostra Aylan Kurdi, 3, afogado após naufrágio em praia na Turquia.
Abdullah Kurdi perdeu também a mulher e o outro filho de 5 anos.


03/09/2015 11h29 - Atualizado em 03/09/2015 17h40

'Meus filhos escorregaram de minhas mãos', diz pai de menino sírio morto

Foto mostra Aylan Kurdi, 3, afogado após naufrágio em praia na Turquia.
Abdullah Kurdi perdeu também a mulher e o outro filho de 5 anos.

O pai de Aylan Kurdi, o menino sírio de 3 anos que foi encontrado morto em uma praia da Turquia ecuja foto se tornou uma das mais representativas da crise migratória na Europa, falou nesta quinta-feira (3) sobre a tragédia. Abdullah Kurdi perdeu também a mulher e outro filho de 5 anos no naufrágio. "Meus filhos escorregaram das minhas mãos", disse à agência de notícias turca Dogan
"Tínhamos jalecos salva-vidas, mas o barco afundou porque várias pessoas se levantaram. Carreguei a minha mulher nos braços. Mas meus filhos escorregaram das minhas mãos", contou ele.
Abdullah disse que a família pagou para atravessar da Turquia para a ilha grega de Kos duas vezes. “Numa delas, os guardas nos pararam. Aí fomos libertados. Da segunda vez, os organizadores não cumpriram com a promessa e não trouxeram o barco. Então conseguimos um barco por nossos próprios meios", relatou à agência turca.
Abdulla Kurdi, pai do menino sírio que morreu em naufrágio na Turquia (Foto: Arte/G1)
"Mas, depois de navegarmos 500 metros, começou a entrar água no barco. Nossos pés ficaram molhados. Criou-se um pânico, e quando as pessoas tentaram ficar de pé, a situação piorou", disse. Abdullah e a família tentavam reencontrar parentes no Canadá, embora o pedido de asilo tivesse sido negado, de acordo com o site "National Post".
Família combateu Estado Islâmico 

Após o naufrágio, na quarta-feira (2), Abdullah ligou para a irmã, que mora em Vancouver há 20 anos, e disse que seu único desejo é voltar para a cidade de Kobane para enterrar seus familiares e ser enterrado ao lado deles.
De acordo com ele, 16 membros de sua família que combatiam o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) morreram na sua cidade natal.
Depois que o naufrágio se tornou público, o Canadá ofereceu asilo a Abdullah, mas ele afirmou que rejeitou a oferta, segundo a agência EFE.
"Recebi uma oferta do governo do Canadá para morar lá, mas depois do que aconteceu não quero ir. Vou levá-los primeiro a Suruç [cidade turca na fronteira com a Síria] e depois a Kobane, na Síria. Passarei o resto da minha vida lá", afirmou.
Apelo
O sírio também fez um apelo à comunidade internacional que faça o possível para evitar sofrimentos como o seu.
"Quero que o mundo inteiro nos escute e veja onde chegamos tentando escapar da guerra. Vivo um grande sofrimento. Faço esta declaração para evitar que outras pessoas vivam o mesmo", disse Abdullah Kurdi nesta quinta a jornalistas turcos diante do Instituto Médico Legal da cidade de Mugla.
Teema Kurdi, irmã de Abdullah, disse ao "National Post" que o pedido de refúgio havia sido negado em junho pelo Ministério da Cidadania e da Imigração do Canadá devido a complicações envolvendo os pedidos de refúgio para estrangeiros.
Fotógrafa diz que ficou 'petrificada' com a cena
A fotógrafa que registrou as imagens do corpo de Aylan na praia da Turquia também falou sobre o caso nesta quinta.
Policial paramilitar recolhe o corpo de uma criança morta que apareceu em praia da ilha de Kos, na Grécia. Vários migrantes morreram afogados e alguns seguem desaparecidos após botes lotados naufragarem durante tentativa de chegar ao território grego (Foto: AP/DHA)Policial paramilitar recolhe o corpo do menino Aylan Kurdi em praia da Turquia. Vários migrantes morreram afogados e alguns seguem desaparecidos após botes naufragarem (Foto: AP/DHA)
Nilüfer Demir disse ter ficado "petrificada" com a cena e contou que também viu Galip, irmão de Aylan, no chão, a 100 metros dali. “A única coisa que eu poderia fazer era tornar seu clamor ouvido. Naquele momento, eu pensei que poderia fazer isso ao acionar minha câmera e fazer sua foto”, afirmou a fotógrafa.
Demir cobre as imigrações na região há 15 anos. “Eu testemunhei muitos incidentes com imigrantes nesta região, suas mortes, seus dramas. Espero que isso agora mude. Fiquei chocada, me senti mal por eles. A melhor coisa a fazer era tornar sua tragédia conhecida.”
Naufrágio
Pelo menos nove sírios morreram no naufrágio que matou a família de Abdullah Kurdi, segundo a agência AFP -- outros veículos citam 12. As duas embarcações haviam partido do balneário turco de Bodrum e tentavam chegar à ilha grega de Kos.
A foto do menino morto virou um dos assuntos mais comentados no Twitter e diversos veículos da imprensa internacional a destacaram como símbolo da gravidade da situação, inclusive com potencial para ser um divisor de águas na política europeia para os imigrantes.
O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, disse que a morte do menino sírio mostra a necessidade de ação urgente da Europa na crise migratória. "Ele tinha um nome: Alyan Kurdi. Ação urgente é necessária – uma mobilização da Europa inteira é urgente", escreveu Valls em sua conta no Twitter nesta quinta-feira.
Na quarta-feira, Itália, França e Alemanha assinaram um documento conjunto pedindo pela revisão das atuais regras da União Europeia sobre garantia de asilo e uma distribuição "justa" de imigrantes no bloco, informou o Ministério das Relações Exteriores da Itália.
Policial paramilitar turco investiga o local onde apareceu o corpo de uma criança imigrante numa praia de Bodrum, na Turquia (Foto: AP)
Policial paramilitar turco investiga o local onde apareceu o corpo de menino sírio de 3 anos numa praia de Bodrum, na Turquia (Foto: AP)Fonte:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/meus-filhos-escorreram-pelas-minhas-maos-diz-pai-de-menino-sirio-morto.html

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